sábado, 14 de julho de 2012

Na época que dava para brincar de ônibus

Miniaturas de várias marcas e tamanhos fizeram parte da infância de muita gente que cultivou o gosto pelos transportes, e até se tornou profissional, com a ajuda delas.
ADAMO BAZANI – CBN
Quem nunca se lembra da infância volta e meia. Dos pais mais novos, da escola, de uma época em que tudo era mais simples, da brincadeira e, claro, dos brinquedos.
Muitos deles acabaram ajudando a influenciar no crescimento dos gostos das pessoas por determinadas áreas, sendo que alguns se tornaram profissionais: moda, saúde, esporte e também transportes.
Isso mesmo, o Brasil até os anos de 1990 produzia em larga escala ônibus de brinquedo que embalavam os sonhos de estrada não só de crianças, como de adultos, já que muitas destas miniaturas traziam semelhanças com os modelos de verdade e o mais interessante: as pinturas de época das maiores empresas de ônibus no País.
Hoje com a invasão chinesa no setor de brinquedos, e com o avanço de brinquedos mais tecnológicos, a indústria se desinteressou pela produção de miniaturas de ônibus.
Tanto é que para ter uma, é necessário recorrer aos produtos feitos na China, que não tem nada a ver com nossos modelos reais, ou a fabricantes artesanais que, apesar de terem seu valor e fazerem réplicas muito boas, cobram um preço muito alto: uma pelo trabalho que dá para fazer artesanalmente os ônibus e outra por terem pouca concorrência.
Entre as empresas nacionais que mais se destacam fazendo ônibus para sonhar estavam a Brinquedos Bandeirante, que completa 60 anos, e a Brinquedos Rei.
Enquanto a Bandeirante fazia grandes ônibus de lata, primeiro um que parecia o modelo Diplomata e depois outro de três eixos, a Rei fazia modelos menores. Uma das séries que marcou o produtos da Rei foi a de ônibus de plástico bem acabado, com detalhes internos de volante e poltronas e que abriam duas portas, curiosamente inspirados no modelo internacional Monobloco O 303, da Mercedes Benz.
Em comum, além de fazerem muita gente pequena e grande viajarem sem limites, estes ônibus, das duas marcas, traziam as pinturas de empresas nacionais, como Expresso Brasileiro, Viação Cometa, Itapemirirm, São Geraldo, Cidade Azul, Andorinha, Pluma, Rápido Serrano, CMTC, Pássaro Marron, entre outras.
Com o passar do tempo, esses brinquedos acabaram sendo registros históricos de modelos, pinturas e empresas que nem existem mais. Havia também os modelos mais simples, que não precisavam de loja de brinquedos. Dava para comprar em armazéns, papelarias e até em feiras livres.
Alguns de plástico bolha, outros, mais elaborados apesar da simplicidade. Nos mesmos anos que rodavam os ônibus de dois andares em São Paulo, por Jânio Quadros, a Diverplás lançava uma coleção de “double deckers”. Não era uma réplica, mas dava para imaginar.
Hoje, dependendo do nível de semelhança com os modelos de verdade e do estado de conservação, muitas destas miniaturas de ônibus podem ser encontradas pela internet com valores que ultrapassam até R$ 500,00.
Fica uma dica para a indústria de brinquedos que admitiu que as diversões mais simples ainda chamam a atenção: uma legião de crianças novas e de quem é criança há muito tempo adoraria ter uma coleção de volta.
Diversas marcas de brinquedos traziam as pinturas de empresas de ônibus. Hoje unidades são valiosas dependendo do estado de conservação e são registros históricos dos transportes. Miniaturas da foto são da Brinquedos Rei.  Foto: Adamo Bazani
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