segunda-feira, 2 de março de 2015

Rio 450 anos: o aniversário do “berço” do ônibus no Brasil

Mobilidade urbana é um dos grandes desafios da cidade que é a capital da beleza no País.
Sendo o “berço do ônibus no Brasil”, o Rio de Janeiro já nos anos de 1950 tinha uma extensa quantidade de linhas e veículos de transporte coletivo, como mostra foto de 1954, na região da Avenida Presidente Vargas.
Sendo o “berço do ônibus no Brasil”, o Rio de Janeiro já nos anos de 1950 tinha uma extensa quantidade de linhas e veículos de transporte coletivo, como mostra foto de 1954, na região da Avenida Presidente Vargas. Acervo: Renato Torres Libeck.

A capital do Rio de Janeiro, que neste domingo completa 450 anos, com a fundação em 1º de março de 1565 da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, por Estácio de Sá, pode ser considerada o “berço” do transporte coletivo urbano, em especial do ônibus, no Brasil.
Sim, as ruas estreitas e irregulares da velha São Sebastião, construídas bem ao estilo português medieval, se tornariam quase trezentos anos depois, e já com diversas modificações, pontos-iniciais da longa viagem rumo ao progresso e a integração de pessoas que o principal meio de transporte do país ainda realiza.
A vinda de toda a estrutura da família real portuguesa representou grandes investimentos em modernização do aspecto urbano, em 1808.
Estácio de Sá que fundou a São Sebastião tinha o objetivo de conter a ocupação dos franceses na baía do Guanabara, inicialmente liderados por Nicolas Durand de Villegagnon. Eles pretendiam instalar a Colônia França Antártica.
Nesta época, o território onde está o Rio de Janeiro era atraente pela posição estratégica junto ao mar, o que facilitava o comércio de bens produzidos em diversos outros territórios do Brasil pelos portos.
Logo, começaram a partir da Capitania Real do Rio de Janeiro mais pessoas a morarem na área do Rio de Janeiro e a desenvolverem outras atividades econômicas, além das relacionadas aos portos e comércio exterior, entre elas, a plantão de açúcar.
Mas em 1641, com a tomada de Angola, pela Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, houve um abalo neste setor que dependia essencialmente de mão-de-obra escrava. O fluxo dos escravos africanos para o Brasil, através da colonização portuguesa, foi prejudicado.
Outro aspecto da história dos transportes no Rio de Janeiro foi a presença de várias encarroçadoras, como a Vieira, uma das primeiras na cidade.
Outro aspecto da história dos transportes no Rio de Janeiro foi a presença de várias encarroçadoras, como a Vieira, uma das primeiras na cidade.

Os portugueses então tentaram, nesta época, escravizar os índios brasileiros. Mas, conhecedores da terra, os índios ofereceram forte resistência, inclusive em sangrentas batalhas.
O Rio de Janeiro começou a prosperar de forma significativa, no entanto, a partir de 1700, quando foi descoberta a quantidade de ouro e diamante em Minas Gerais. Pelos seus portos, o Rio era a ponte entre a riqueza de Minas para o mundo. Este papel foi tão importante que, em 1763, o Rio tornou-se sede do Vice-reino do Brasil e a capital da colônia.
Anos mais tarde, em 1807, eclodiria a Guerra Peninsular, que durou até 1814. Tratou-se de um embate militar entre o Primeiro Império Francês e os aliados do Império Espanhol, do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda e do Reino de Portugal pelo domínio da península Ibérica durante as Guerras Napoleônicas.
Napoleão foi derrotado em 1814. Mas antes disso, o abalo foi grande em ambos os lados. Portugal foi alvo de diversas invasões Napoleônicas..
Foi então que em 1808, a família portuguesa, decide-se transferir toda a estrutura da Metrópole para a Colônia.
Houve um grande avanço urbano no Rio de Janeiro. Para se ter uma ideia, foi a partir deste momento que no Rio de Janeiro se intensificou a construção de hospitais, igrejas, estruturas militares, dos primeiros bancos, com destaque para o Branco do Brasil, foi criado o primeiro “Diário Oficial”, com a Imprensa Régia, o primeiro jornal oficial Gazeta do Rio de Janeiro, instituições de ensino e pesquisa. Tudo o que nunca havia sido visto no Brasil.
Com isso, aumentava o fluxo dentro da cidade de pessoas que viam no Rio a oportunidade de novas ocupações, além dos portos e da agricultura. Eram pessoas que se dedicavam ao comércio, para abastecer o número maior de habitantes, a pequenas fábricas manufatureiras e a atividades ligadas à burocracia estatal portuguesa.
A diversidade de modelos e pinturas foi uma das principais características dos transportes da cidade, o que acabou com a padronização e a redução do número de fabricantes.
A diversidade de modelos e pinturas foi uma das principais características dos transportes da cidade, o que acabou com a padronização e a redução do número de fabricantes. Foto: Donald Hudson.

O ir e vir na cidade tornou-se uma necessidade que ainda não era bem atendida.
A situação começou a mudar, segundo o museu da NTU – Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos, em julho de 1838, quando foi registrado o primeiro serviço regular de ônibus no Brasil.
A iniciativa foi dos empreendedores Aureliano de Sousa e Oliveira Coutinho, Paulo Barbosa da Silva, José Ribeiro da Silva, Manoel Odorico Mendes e Carlos Augusto Taunay.
As primeiras linhas saíam do centro do Rio de Janeiro e iam para Botafogo, Engenho Velho e São Cristóvão. Os ônibus eram de dois andares, puxados por cavalos e feitos de madeira.
Em 30 de janeiro de 1859, 21 anos depois do primeiro ônibus do Brasil, surge o primeiro bonde do País. Também de madeira e puxado por cavalos, o veículo circulava sobre trilhos. A iniciativa foi de Thomas Cochrane que fundou a Companhia Carris de Ferro da Cidade à Boa Vista. Em 1862, a empresa colocou em circulação o primeiro bonde a vapor, mas com dificuldades financeiras, deixou de operar em 1866.
Foi no Rio de Janeiro que circulou também o primeiro bonde elétrico do Brasil e de toda a América Latina, em 08 de outubro de 1892 com a Companhia Ferro-Carril do Jardim Botânico.
A cidade do Rio de Janeiro se tornaria pioneira mais uma vez na área de transportes ao ter o primeiro ônibus a combustão do Brasil, em 1908. Naquele ano era realizado um evento internacional em homenagem aos 100 anos da chegada da família real portuguesa e abertura dos portos. O Brasil já estava na era da República, mas a Grande Exposição Nacional, na Praia Vermelha, era a oportunidade para mostrar ainda mais ao mundo e aos próprios brasileiros os principais produtos que movimentavam a economia na época. Foi oportunidade também de aproveitar a maior demanda de pessoas no local, que foi vislumbrada pelo empresário Otávio da Rica Miranda, que teve a proposta aceita pela prefeitura de estabelecer uma linha em caráter provisório circulando pela Avenida Central, hoje Avenida Rio Branco.
O ônibus também fazia viagens extras até a Praia Vermelha. A carroceria era de madeira, na cor vermelha, com mecânica Daimler. O ônibus era a gasolina.
A diversidade de modelos e pinturas foi uma das principais características dos transportes da cidade, o que acabou com a padronização e a redução do número de fabricantes.
A diversidade de modelos e pinturas foi uma das principais características dos transportes da cidade, o que acabou com a padronização e a redução do número de fabricantes. Foto: Donald Hudson.

O Rio de Janeiro foi um dos pioneiros na América Latina em ônibus de tecnologia não poluente. Hoje é possível ver empresas apresentando veículos de transporte coletivo elétricos movidos apenas com baterias como algo inédito. Claro que, atualmente, as tecnologias são mais modernas, mas entre 1918 e 1928, ônibus elétricos a baterias construídos nos Estados Unidos faziam a linha entre a Praça Mauá e o Palácio do Monroe, pela Avenida Rio Branco.
Ainda em relação às tecnologias não poluentes, o Rio de Janeiro teve seu primeiro serviço de trólebus em operação no ano de 1962. Os veículos operaram inicialmente 23 linhas na região central e nas zonas Norte e Sul. Estes trólebus, de marca General Eletric, foram importados da Itália e chegaram ao Brasil em 1958.
O início da operação dos trólebus no Rio de Janeiro também é marcado pela criação da empresa pública de transportes do estado, Companhia de Transporte Coletivos do Estado da Guanabara – CTC-GB, em 1962, pelo governador Carlos Lacerda.
A CTC foi criada no contexto da necessidade de reorganização dos serviços de transportes.
Assim como a cidade, a oferta de mobilidade foi crescendo de forma desordenada. Havia sobreposições de linhas enquanto outras regiões continuavam desprovidas, pouco profissionalismo de algumas empresas, veículos velhos e mal conservados. As lotações, ônibus pequenos semelhantes às jardineiras, também eram comuns na cidade.
 A CTC- Companhia de Transportes Coletivos, empresa pública, foi uma das principais do País e sua criação se deu no contexto da necessidade de reorganização dos transportes coletivos na cidade.
A CTC- Companhia de Transportes Coletivos, empresa pública, foi uma das principais do País e sua criação se deu no contexto da necessidade de reorganização dos transportes coletivos na cidade.

A CTC encampou diversas empresas na época.
Marcada pelo clima quente, que criou o famoso termo “Rio 40 Graus” , a cidade foi uma das pioneiras em ônibus com ar condicionado. Os chamados “frescões” tiveram origem entre fevereiro e julho de 1975, com as seguintes empresas: Auto Viação Alpha S.A.Real Auto ÔnibusTransportes São SilvestreAuto Viação Três AmigosTransportes ParanapuanRodoviária A.Matias eViação Forte S.A e Auto Diesel S.A.
Outro marco na história do Rio de Janeiro foi a presença de diversas encarroçadoras de ônibus que contribuíram para o desenvolvimento da indústria de transportes. Entre elas estão Carrocerias Vieira – fundada em 1918, Cirb S/A Indústria e Comércio – em 1933, Carbrasa – de 1945, Cermava – criada em 1948, Fábrica de Carrocerias Metropolitana – de 1948,Ciferal – Comércio e Indústria de Ferro e Alumínio ou Companhia Industrial de Ferro e Alumínio – 1955, esta última que chegou a ser do governo do estado em 1985, na época de Leonel Brizola, desenvolveu novas técnicas e matérias em carrocerias de ônibus, como o duralumínio, e pertence hoje à Marcopolo.
Como todas as cidades brasileiras, hoje o Rio de Janeiro tem a mobilidade urbana como um dos maiores desafios.
 A CTC- Companhia de Transportes Coletivos, empresa pública, foi uma das principais do País e sua criação se deu no contexto da necessidade de reorganização dos transportes coletivos na cidade.
A CTC- Companhia de Transportes Coletivos, empresa pública, foi uma das principais do País e sua criação se deu no contexto da necessidade de reorganização dos transportes coletivos na cidade.

O trânsito e um dos piores do País e a oferta de transporte coletivo é ainda insuficiente. No entanto, investimentos em corredores de ônibus modernos, os chamados BRTs e em sistemas de bondes modernizados, VLTs, são considerados esperança para a cidade que, sem nenhum exagero, é o berço do ônibus no Brasil.
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