sábado, 3 de novembro de 2012

Artigo: Transportes, uma resposta nas urnas


Cidades que não tiveram políticas de transportes públicos que satisfizessem a população foram contra continuidade das administrações atuais.
As eleições municipais de 2012 trouxeram mais uma vez à tona o fato de que os transportes públicos podem eleger ou derrubar qualquer candidato. Obviamente que não é o único ponto levado em consideração pelos eleitores, que querem também seus direitos respeitados em áreas como saúde, educação, segurança e emprego. Mas o transporte coletivo é um dos setores que mais saltam aos olhos da sociedade pelo estado deficiente que se encontra, afetando quem usa os meios públicos e até quem se desloca só de carro de passeio, já que ao contribuir para reduzir o trânsito e a poluição, auxilia a todos na cidade.
Grande parte dos candidatos à reeleição ou indicados por atuais administradores que não fez a lição de casa no setor de transportes não conseguiu se manter ou se eleger para o comando dos respectivos paços municipais.
Isto é um artigo, não uma reportagem. Assim, demonstra uma opinião que faz uso do direito de liberdade de expressão com responsabilidade. O leitor não precisa concordar ou se identificar com o ponto de vista aqui contido, mas deve respeitá-lo e refletir sobre o tema.
Em grande parte dos municípios, os candidatos se elegeram pelo chamado voto de protesto. Assim, que estes candidatos mantenham a humildade para entender que não foram eleitos necessariamente pelo seu carisma ou até proposta e sim pelo descontentamento que a população demonstrou com os atuais admnistradores.
Há três exemplos para refletir em conjunto com você, leitor: São Paulo, Santo André e Mauá. Existem tantos outros, mas estes três estão mais perto da realidade deste jornalista, porém o contexto pode ser aplicado às outras regiões.
Transportes mais uma vez ajudaram a determinar os rumos das eleições municipais. Quem não teve bom desempenho na área, não conseguiu seus objetivos eleitorais. A administração Kassab foi uma bomba na candidatura de Serra. Só trocar cor de ônibus e mudar mão de direção para favorecer igreja não foi considerado política de mobilidade em Santo André e medo da volta do monopólio dos transportes marcou Mauá. – Fotos Rodrigo Piragibe / Adamo Bazani.
Transportes mais uma vez ajudaram a determinar os rumos das eleições municipais. Quem não teve bom desempenho na área, não conseguiu seus objetivos eleitorais. A administração Kassab foi uma bomba na candidatura de Serra. Só trocar cor de ônibus e mudar mão de direção para favorecer igreja não foi considerado política de mobilidade em Santo André e medo da volta do monopólio dos transportes marcou Mauá. – Fotos Rodrigo Piragibe / Adamo Bazani.

SÃO PAULO

A maior cidade da América Latina também é a mais congestionada e a que mais sofre com os transportes públicos que não atendem às necessidades do cidadão de maneira plena.
Grande parte da derrota de José Serra se deve à rejeição e aos erros da administração de Gilberto Kassab, relapsa em vários pontos na área de transportes. Serra continuadamente insistia que a prefeitura iria a manter a ajuda nos investimentos para o metrô. Até aí tudo bem, se a prefeitura não deixasse de fazer a sua parte básica cuidando dos ônibus municipais. Tarifas altas, escândalos envolvendo operadoras como as do Consórcio Leste 4 processadas na Justiça por prestarem maus serviços, restrição a fretados (que não é transporte público, mas é coletivo) e nenhum dos 66 quilômetros de corredores de ônibus ter saído do papel esgotaram a paciência do eleitor.
Não cola mais essa conversa de que a prefeitura vai investir no metrô se não cuidar do básico que são os ônibus municipais! Talvez a antipatia a Gilberto Kassab pesou mais que a empatia por Lula para o resultado em São Paulo!

SANTO ANDRÉ

Em Santo André, no ABC Paulista, mesmo com toda a máquina pública ao seu lado, Aidan Ravin, do PTB, não conseguiu se reeleger. Sua administração na área de transportes deixou muito a desejar. As ações mais marcantes do setor em seu mandato foram a mudança das cores dos ônibus de vermelho para azul e a troca de nome da gerenciadora EPT para SATrans, apenas para não fazer jus ao nome do partido concorrente PT.
Santo André é uma das poucas cidades “do mundo moderno” que não tem nenhum tipo de integração tarifária plena, nem mesmo dentro dos principais terminais, como o Oeste e o Leste. Para ir de um bairro a outro, mesmo próximos, o cidadão tem de se deslocar até o centro da cidade, pagar a segunda tarifa e voltar quase boa parte do trajeto que tinha feito. Na campanha ele prometeu o tal Bilhete Único de Santo André, mas por que não fez nos quatro anos? O empresário que domina os transportes e o jornal da cidade não deixou?
Mobilidade não foi lá os trunfos mesmo de Aidan Ravin. Para atender a grupos que ele é ligado, contrariava a máxima de servir à maioria na democracia e o direito de ir e vir. Exemplo é ter transformado uma rua em frente a igreja católica Nossa Senhora do Paraíso em mão única, prejudicando principalmente aos sábados quem precisa ir ao Hospital Mário Covas só pra beneficiar a comunidade do Padre Vanderlei Ribeiro. A comunidade foi menor que a maioria (por mais estranha que a frase possa parecer) e não teve força para reelegê-lo.

MAUÁ

Em Mauá, por causa primeiramente de rachas dentro do PT e depois pelo prefeito Oswaldo Dias ter caído na Lei da Ficha Limpa, não houve candidato à reeleição. Mas o candidato petista Donisete Braga conseguiu vencer o pleito, entre outros fatores, por causa da mobilidade urbana.
Foi no governo petista que o monopólio de mais de 30 anos dos transportes em Mauá caiu, foi implantado o Cartão Da Hora, uma espécie de Bilhete Único, e as empresas (agora no plural de verdade) renovaram parte da frota de ônibus na cidade.
Se não fosse o ato do próprio PT que contrariou a Justiça ao assinar um contrato com outra empresa do mesmo grupo antigo operador para retomar o monopólio, talvez a administração dos transportes poderia ter sido considerada melhor.
Mas o erro foi corrigido pela Justiça e dois grupos diferentes continuam em Mauá: Lote 01 Viação Cidade de Mauá (Baltazar José de Sousa) e Lote 02 Leblon Transporte (família Isaak, do Paraná).
Pesou o fato também de a família de Vanessa Damo (PMDB), a concorrente de Donisete, representar um passado em Mauá. O pai dela, o ex prefeito Leonel Damo, não teve o desempenho exigido pela população e na área de transportes, sua ligação com o empresário Baltazar José de Sousa, que detinha o monopólio dos ônibus, representou, no entendimento da população, ameaça às mudanças de mobilidade urbana. Vale ressaltar que mesmo com melhorias, os transportes em Mauá ainda precisam evoluir muito e que o PT precisa esclarecer para a população porque, da noite para o dia e sem respaldo jurídico, assinou aquele contrato com a Viação Estrela de Mauá, em nome de David Barioni Neto, fundada por Baltazar José de Sousa.
As eleições de 2012 foram exemplo claro de que a população quer mudanças quando algo não vai bem. E muito mais agora, com acesso maior à informação, não adianta prometer se não fizer porque o povo vai cobrar. Que sirva a lição para os próximos administradores. O povo quis mudar e se os eleitos não forem bons, vai querer mudar de novo.
Viva a democracia.
Adamo Bazanijornalista da Rádio CBN, especializado em transportes
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