terça-feira, 29 de abril de 2014

Em protesto, rodoviários ateiam fogo em pneus e fecham a BR-101

Trabalhadores estão há mais de 42 horas descumprindo liminar judicial
 Carlos Grevi

Trabalhadores estão há mais de 42 horas descumprindo liminar judicial

Completando mais de 72 horas de braços cruzados, destas mais de 42 em descumprimento àliminar que decretou o fim imediato da greve e já acumulando R$ 20 mil em multa, os rodoviários fecharam a BR na manhã desta terça-feira (29/04), por volta de 09h30, na altura do km 54, próximo ao aeroporto Bartolomeu Lisandro.
Motoristas e cobradores se reuniram embaixo da Ponte Leonel Brizola, próximo à sede do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Cargas e Passageiros de Campos e seguiram para manifestação que além de protestar contra a decisão que decretou o fim imediato da greve, pede reajuste salarial de 17%, plano de saúde, além de outros benefícios, como cesta básica e uniforme gratuito, já que atualmente os funcionários pagam pelo uniforme de trabalho.
O presidente do sindicato, Roberto Virgílio, conversou com a equipe do Site Ururau na manhã desta terça e disse que decisão da juíza é arbitrária porque o motivo do cancelamento total da greve teria sido o fato do sindicato não ter comunicado a mesma com 72 horas de antecedência.
“A Justiça está alegando que nós não avisamos com 72 horas de antecedência, mas nós fizemos tudo com antecedência. O município induziu a juíza ao erro. A juíza é lá do Rio, ela sabe o que está se passando? Eu acho que ela para dar uma sentença daquela, ela tinha que analisar se foram cumpridos os direitos de greve ou não”, expôs Virgílio que reforçou que vai entrar com um mandado de segurança, em Brasília. Quanto a multa, já acumulada em R$ 20 mil, disse que o sindicato vai arcar com as consequências jurídicas.
No entanto em sua decisão a juíza cita a falta do aviso com 72 horas de antecedência, mas também o caráter "abusivo" do movimento que desrespeita o artigo 10 daLei 7.783/89, que classifica o transporte público como serviço essencial e em seu artigo 11 determina que “nos serviços ou atividades essenciais, os sindicatos, os empregadores e os trabalhadores ficam obrigados, de comum acordo, a garantir, durante a greve, a prestação dos serviços indispensáveis ao atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade.”
O presidente do Instituto Municipal de Trânsito e Transportes (IMTT), Álvaro Oliveira, encaminhou um ofício nesta segunda (28/04) à Procuradoria Geral do Município, comunicando o desrespeito à decisão do Tribunal Regional do Trabalho (TRT).
Em nota o presidente do IMTT disse que respeita a reivindicação de melhores salários dos rodoviários, mas também o direito de ir e vir da população.
“São 300 mil usuários que dependem diretamente do transporte coletivo em Campos. E se a Justiça determina que tem que rodar os 30% da frota, esta decisão deve ser cumprida, bem como se a Justiça determinar que se rode os 100% da frota”, disse Álvaro.









O fechamento da BR-101 durou pouco mais de 1h20. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) esclareceu aos manifestantes que atear fogo em pneus na BR configura dano ao patrimônio público, o que pode resultar na detenção dos responsáveis.
Os trabalhadores concordaram e permitiram somente a passagem de ambulâncias até a chegada do Corpo de Bombeiros Militar, que apagou as chamas e limpou a pista.
A Polícia Militar também esteve no local, assim como agentes da Autopista Fluminense que revelaram que o engarrafamento provocado pela manifestação atingiu cerca de 2,5 km nos dois sentidos da rodovia.
Segundo o secretário executivo do Sindicato dos Rodoviários, Luiz Pereira do Nascimento Filho, até o fim da manifestação nenhuma empresa tinha se manifestado sobre as reivindicações.
“Até agora nenhuma das 13 empresas falou nada e dependemos delas para avaliar a situação da greve. Apenas duas empresas estão atuando, uma com 30% da frota e a outra com a quantidade normal porque os funcionários já receberam 10% de aumento. Conversamos com os trabalhadores e eles estão irredutíveis, enquanto não tiver acordo ninguém volta pra rua”, explicou.
Durante o ato, dois moradores locais, foram detidos e levados para a 146ª Delegacia Legal de Guarus, para prestar esclarecimentos. De acordo com policiais militares do Serviço Reservado (P2), os homens estariam cobrando uma espécie de pedágio para deixar os moradores passarem pela barreira colocada pelos manifestantes.

Minutos antes outros dois homens foram abordados em uma motocicleta depois de denúncia de que eles estariam armados. Agentes da PRF e PMs abordaram os suspeitos, mas nada de irregular foi encontrado.
No início da tarde, os rodoviários seguiram em caminhada pacífica pela Avenida 28 de Março, saindo da frente do Parque Alzira Vargas, até a rodoviária Roberto Silveira, encerrando o ciclo de manifestações desta terça.
Fonte: Ururau
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